Justiça manda prender PM réu pela morte de estudante de medicina após denúncia de violência doméstica contra esposa
Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto em 2024 por policiais militares em São Paulo Reprodução/TV Globo A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira...
Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto em 2024 por policiais militares em São Paulo Reprodução/TV Globo A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira (31) a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, um dos réus pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na Vila Mariana, Zona Sul da capital, em 2024. Em fevereiro, a Justiça determinou que Bruno e o colega de farda Guilherme Augusto Macedo serão levados a júri popular, cuja data será definida. Os policiais respondem em liberdade pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que dificulta a defesa da vítima. A ordem de prisão foi assinada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, após pedido apresentado pela assistência de acusação da família da vítima e manifestação favorável do Ministério Público. A decisão menciona investigação em andamento na 1ª Vara de Violência Doméstica de Santo Amaro por supostos crimes de ameaça e lesão corporal cometidos por Bruno contra a própria esposa. Câmera corporal mostra momento em que estudante de medicina é morto por PM Para a juíza, a notícia de novas práticas criminosas, somada à gravidade da acusação pela morte de Marco Aurélio, demonstra risco à ordem pública e evidencia a periculosidade social do policial. A decisão determina a expedição imediata do mandado de prisão preventiva e a apreensão de armas de fogo em posse do PM. O pedido de prisão foi protocolado pelos advogados da família de Marco Aurélio na última terça-feira (28). A petição sustenta que Bruno descumpriu as condições impostas pela Justiça para responder ao processo em liberdade e argumenta que as medidas cautelares anteriores se mostraram insuficientes. No documento, os advogados afirmam que a esposa do PM relatou à polícia ameaças de morte recorrentes ao longo dos últimos dois anos. Segundo o boletim de ocorrência reproduzido na petição, ela declarou que o marido dizia que iria matá-la e "colocá-la no caixão e mandar para o Ceará". A mulher também relatou que, durante uma discussão em abril deste ano, após pedir a separação, foi segurada pelo braço, sofreu hematomas e fugiu de casa temendo por sua integridade física. Ainda segundo o relato, a mulher acionou a Polícia Militar após Bruno se dirigir ao quarto onde costumava guardar seu armamento. Estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto por PM com tiro à queima-roupa. Arquivo pessoal Relembre o crime Marco Aurélio foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Vila Mariana. A confusão começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que passava pela Rua Cubatão e correu para dentro de um hotel, onde estava hospedado com uma amiga. No veículo estavam os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado. Após o tapa no retrovisor, os policiais desceram da viatura e seguiram o estudante até o saguão do hotel. Nas imagens, Guilherme aponta o revólver e grita "você vai tomar", enquanto tenta puxar o jovem pelo braço. PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime Em seguida, Bruno chuta o estudante, que reage segurando o pé do policial — ele cai no chão. Logo depois, Guilherme atira à queima-roupa, acertando o abdômen do estudante. A vítima foi levada para o Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. A unidade estava superlotada e sem equipamento de tomografia, segundo a ficha de atendimento médico. Apesar dos três pedidos de prisão preventiva da família da vítima, os policiais respondem ao processo em liberdade. Nota da defesa O pedido de prisão foi feito pela assistência de acusação do caso do MC Boy da VM. Isso não representa justiça, apenas tentativa de vingança, eis que a vida pessoal do acusado não se confunde com a ocorrência, que foi em serviço policial militar. Ainda precisamos apurar como tais advogados tiveram acesso ao processo sobre violência doméstica que ele está envolvido, uma vez que esses processos seguem em segredo de justiça. A defesa irá impetrar habeas corpus para restabelecer a liberdade.